domingo, 21 de dezembro de 2008

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Autoral


Autoral

Pálida página solitária,onírica copula com ébano ladino sensual.
Em carícias pudicas entre margens nuas .
Gestas a palavra infante,ingênua,pura do lapisar...
Os segredos universais forjados na fagulha de criativa luz divinal.
Página semi virginal violada no desejo fálico de expressão.
Ondulante frenética segue em êxtase ao derradeiro momento da fecunda criação.
Compartilha ao mundo dignitário espúrio ,criador lascivo extemporâneo a lucerna inspiração.
Gleise Costa

Amigo ...




Amigo ...

Eu estava só, em meio a tantos rostos estranhos , a risos e vozes , a marcas e dores , simplesmente só.
Tão insegura e trêmula , estava em frente ao primeiro dia de meu recomeço , e como é difícil recomeçar quando se tem uma lacuna na alma de uma década, um século de mágoas e um milênio de esperanças.
Sentia-me assustada , com medo do novo , temendo rostos , temendo novas mágoas .
A coragem dos guerreiros mitológicos me impulsionavam a seguir, forjar um personagem e interpretar .
Só restava-me convencer para sobreviver, ou sucumbir , morrer.
Para traz nada me restava, só lembranças, perdas , dores.
Olhei altiva para frente fingindo segurança mirei sobre os ombros como a quem tudo supera , pisei firme para inspirar confiança ,e no intimo , coração disparado , nó na garganta , lágrima por rolar .
Eu estava só sem ter em quem me apoiar .
Timidamente você se aproximou , mas no olhar tinha tanta ternura que me inspirou confiança para ficar .
Só se apresentou , não me tocou ,mas invadiu minha mente , mostrou o novo mundo que eu estava para vivenciar , deu-me esperanças , me fez até acreditar ,ser possível me reerguer , ter forças e vencer.
O medo nunca cessou, demarquei meu território, trincheiras, armas sempre a postos ,o mundo já me magoou muito , você me desarmou , mostrou com um sorriso tímido que as feras eram domáveis , os medos superáveis.
Eu já não estava tão só.
Assustada , sim mas suas palavras sóbrias e racionais me fizeram crer se possível ...
Seguir , e eu segui , cambaleante pelo peso que a minha história de vida me impunha , mas você sempre esteve lá , quando chorei, e mau disse meus dias de dor , quando sorri dos meus medos e rancores ,quando superei cada degrau .
Com ternura na voz, com coração aberto sempre para ouvir , imagino como teriam sido meus primeiros dias , sem seu apoio , sem seu jeito de dizer sem palavras eu acredito em você !
Dos fracassos e das poucas conquistas que esse novo mundo me traz , sem seu jeito de encontrar um meio termo para tudo e seguir.
Para ver em cada um que chega uma alma um menino , uma menina ver além dos gritos , da baderna que o novo mundo fundou no vazio sem brilho dos espaços lotados mais tão frios , sem compromisso sem amor.
Estou caminhando e o peso que levo , está mais leve pois tenho a ti, para rir ,chorar e seguir , dando a cada dia um pouquinho mais de mim e a cada fracasso um pequeno recomeço e prosseguir .
Olha , amigo , me permites chamá-lo assim?
Eu precisava de alguma forma dizer , muito obrigado a você , por em apenas poucos meses eu poder me sentir mais forte e segura , e muito dos meus medos superados devo a você , como me impede a timidez de abraçá-lo e agradecer , sinta-se acariciado pois para mim você é ...
UM amigo INESQUECIVEL !

Gleise Costa

Barão dos Castelos de Vidro


Barão dos Castelos de Vidro


Barão austero taciturno até quando refugiarás de si?
Teu fosso é líquido inevidente,separando estrategicamente invasores.
Mergulhado em águas turvas de mágoas,
dores psicossomáticas armaduras emocionais.
Flui entre os dedos dos incautos, indelével em poéticas gotículas líricas de solidão.
Delegas a dor como companheira.
Exclui o mundo isolando-se nas mais altas torres de seus translúcidos castelos etéreos.
Inexpugnáveis castelos que aprisionam teu ser em brasões ondulantes ao vento bórico.
Etérea ilusão de acessibilidade apesar de ver-te és intocável.
Asceta, em repudio as minhas digitais que embaçam
a pureza límpida cristalina de teus vitrais monocromático .
”Ho Mestre!”
Jogas sua capa em desdém, finges circular entre plebeus
como iguais com gestos pudicos de não viver.
Transmuta-se camaleônico na afecção gélida da auto indiferença sofismal.
Só és pleno quando vaporiza-se na misteriosa leveza atmosférica venial .
A observar a plebe em laboral labrego dos vassalos faustos do


Barão dos Castelos de Vidro.

Gleise Costa



Grávida Adolescência

Grávida Adolescência
Gleise Costa

Não sei quando iniciou.
Uma noite, lá vinha eu andando,
Alheia ,despreocupada,
no walkman altos sons...
Na boca , a lembrança dos beijos ,do arrepio do desejo em ebulição.
Uma sombra refletida no chão
de alguma calçada uma imagem
deslocada do “Eu” comigo.
Não?!
Era á sombra de alguém !De quem?
Movia-se com meus gestos mais
não era eu , não podia ser eu ?
Levou algum tempo ...
Para entender a imagem refletida era a minha mais não era como eu me percebia, não , não podia ser.?!
Em uma loja outro dia uma roupa radical incrementava meus sonhos de uma balada ocasional, mas no provador me encontrei com um espelho que refletia outro corpo ,outras formas outro “EU” que eu não queria .
Olhei bem o espelho encarei aquele estranho , um nariz desconhecido se fez instalar em minha cara ,me vi um Pinochio .
Não estava pronta ainda para ler-me.
Minhas formas ,outras formas que nem minhas ainda eram ...
Meu púbis , minha pele,mamilos quadril,sono,enjôos,humor, tudo transformando o que já era mutante,oscilante.
De púbere, virava mater,de menina virará mulher,
de filha virava mãe.
De quem?
–De alguém , não sei quem? Como saber se nem mesmo sei bem o que sou eu?
Foi tão rápido , não tive a intenção e derepente não obstantemente,a dor , o “EU” em transformação.
Virava eu em nós, sozinha na multidão de olhos que me olhavam ,nas ruas, na estação, na entrada da escola já não era mais um na multidão.
E como eu sempre quis ser especial ,diferente , mais desta forma ...Não!
Olhos e gestos se disfarçavam ,no ar recriminação, recriminação...
Não passava de uma menina mais não era olhada assim , não!!!
O meu corpo pesado não era mais meu,eu queria as mesmas coisas de sempre e me cobravam maturidade, abnegação,dedicação,nessas formas eu não viveria o que era próprio dos meus
Eu era agora diferente, mesmo de algum modo igual,má companhia, imagem do exemplo do que não se deve fazer, e coisa e tal.
Hipócritas que negavam, o óbvio prazer, em um corpo jovem,adolescente descobrindo-se e descoberto que só queria “adolescer”.
Mas meu caso só era diferente pois trazia a prova no meu ventre, no meu corpo encravado , para isso não há perdão.
Por que fiz ou por que não .
Por que sim ou o por que não da prevenção ?
Não sei não ...
Por medo,desinformação,insegurança,por excesso de auto confiança, me descubro antes mesmo de ser “EU “ me torno “nós “ em uma gravidez adolescente.
E eu que sempre pensei que as mães fossem meio que perfeitas e a tudo e a todas as competências se fizessem instauram .
Vejo-me mãe com todos o medos e defeitos como qualquer uma menina, mulher .
Apenas sou eu aprendiz pela vida.

Balarina de Rodinhas



Balarina de Rodinhas






Dança balharina...
Direita,1,2,3...
Esquerda,1,2,3...
Ponta de pé dá um giro
Há!Outra vez!
Sapatilha no pé amarradinha
no tornozelo .
Outra vez,calcanhar ,dedos.
Direita,1,2,3...
Esquerda,1,2,3...
Ponta de pé ,salta gira,pirueta,1,2,3...

Marcha soldado!
Direita 1!2!3!4!
Esquerda volver!
Pisa firme na marcha !
Marcha soldado!Marcha!
Amarra o coturno! Firme na marcha.
Segue no ritmo 1,2,3,marcha!
Soldado!
Segue em frente marcha!

Os patins seguem ligeiros.
Gira o corpo salta,abre os braços e se abaixa.
As rodinhas nunca param,são livres?
Basta que eu faça um movimento e tudo vira de cabeça para baixo.
Zum,zum,zum...
Plact, ploct ,pum...

O que te faz parar,
quando algo você quer?
Caiu?levantou!
Tropeçou?
Aprumou o passo .
Qualquer um pode cair!
Mas só os fortes sabem seguir.
Um pezinho a frente um apoio legal, nada impede a gente.
Somos especiais!

Apoiado também vale.
Quatro rodinhas duas ou três !
Pega-pega ,não se entrega .
Chutar bola, fazer gol.
Saltar , também se pode de um jeito especial.
Depois você me acompanha e te levou em uma viagem de exploração .
O mundo em duas rodas ,de muletas ,ou botinhas , não há diferenças não !
Você ,brincará é com o menino[a] e com a imaginação .
Pode até ser bem mais divertido ,descobrir novos formas para o joguinho de sempre , brincar .
Dá mais empolgação
Encontrar novos caminhos para que todos possam participar.





Contatos com Gleise Costa


gleisecosta@yahoo.com.br
Publicou NILIN pelas Edições Bagaço em 2005



Olhar para os lados é muito bom.
Para a cabeça ,e para o coração!
Subir na mesa ver o que tem a sua volta de lá cima.
Ficar de ponta cabeça no sofá ,olhar, olhar.


Olhar,pensar!
Girar inclinando a cabeça.
Parar para observar e analisar !
Cada coisa em nossa volta e a visão que temos de um ponto de vista ,é o que vemos só como somos ,gostamos ,e fazemos.
Será ,que não há outras formas de vê,fazer,e sentir?
Como os outros nos vê ?
Como vemos os outros?
Como mudar nosso olhar ?
Como perceber quem está em nossa volta ?
Como calidoscópio somos diferentes , a cada instante.
Se não somos iguais todo tempo por que queremos que todos sejam iguais ?
É muito legal ver o mundo sobe outro ponto de vista ,nem o meu ponto ,nem o seu ponto o nosso ponto...


Inverno -2008
























































Eu sou um professor POR GLEISE CSOTA


Eu sou um professor!?
Gleise Costa
Professor!
Havia harmonia no caos.
Na confusão todos se entendiam.
Sem olhares, sem palavras, todos apenas e só apenas sentiam.
Uma sensação única.
Mãos desencontradas, faces atribuladas, corpos frágeis, magros, negros, pardos.
Um vazio...Dependentes da angústia.
Solidão coletiva, aglutinação de impotênciaMedos...
Uns resmungam, outros calam, tremem, teme...
Outros já nem sentem.
Os sonhos se vão...Se foram se é que existiram.
Choro solitário da experiência de todos.
Dor...
Sem rumo seguem, vão num olhar robótico.
Abrem mais uma página, desfolham, rasgam-se, matam-se.
Aos poucos todos.
Aos poucos.
Uns loucos.
Um poucos
Mas calam...Seguem...
Revivem se exasperam, sofrem, não há a quem apelar.
A alma pena, os corpos que pelos anos se mutilam se marcam.
Por fora, por dentro.
Por atos , por omissão.
Por tudo, por nada.
Rostos enrugados.
Bocas e mãos secas, mentes sedentas.
Ainda sonhamEfêmero êxtase.
Haverá um amanhã?
O hoje não lhes permite.
Sonhos.
Preces mudas.
Impedidos de serRebuscam o não ser,
Crendo...
Fingem que são.Sentem-se mais fortes.
Para seguir não sendo.
Mais matérias do canal "Sala dos Professores":












Eu sou um professor!?
Gleise Costa
Professor!

Havia harmonia no caos.

Na confusão todos se entendiam.

Sem olhares, sem palavras, todos apenas e só apenas sentiam.

Uma sensação única.

Mãos desencontradas, faces atribuladas, corpos frágeis, magros, negros, pardos.

Um vazio...Dependentes da angústia.

Solidão coletiva, aglutinação de impotênciaMedos...

Uns resmungam, outros calam, tremem, teme...

Outros já nem sentem.

Os sonhos se vão...Se foram se é que existiram.

Choro solitário da experiência de todos.

Dor...

Sem rumo seguem, vão num olhar robótico.

Abrem mais uma página, desfolham, rasgam-se, matam-se.

Aos poucos todos,Aos poucos,Uns loucosUm poucos

Mas calam...Seguem...Revivem se exasperam, sofrem, não há a quem apelar.

A alma pena, os corpos que pelos anos se mutilam se marcam.Por fora, por dentro.

Por atos , por omissão,Por tudo, por nada.Rostos enrugados.

Bocas e mãos secas, mentes sedentas. Ainda sonhamEfêmero êxtaseHaverá um amanhã?O hoje não lhes permite.Sonhos.


Preces mudas.


Impedidos de serRebuscam o não ser,Crendo...


Fingem que são.Sentem-se mais fortes.


Para seguir não sendo.


Mais matérias do canal "Sala dos Professores":


CARTA DE APRESENTAÇÃO

Carta de Apresentação

Quero apresentar-lhes uma amiga bem especial,a Zaratruxa, ela viveu uma grande paixão que não foi correspondida lhe trazendo sentimentos de vingança e desilusão.
Foi mais forte e corajosa superando sua dor ,deu a volta por cima.
Dando a maior prova de amor.Amando-se !
O respeito por si própria desperta nos outros uma nova forma de nos ver!Com mais consideração.
O mais interessante é que este não é um texto para ser lido em uma tarde chuvosa quando nada mais restar a fazer .
Este é um texto para ser lido em voz alta com amigos , compartilhando o prazer dos sons e das oscilações de dificuldades .
Quero te contar um segredinho e não conte para ninguém : um exercício com sons da língua tremendo como um bater de azas de beija-for depois fazer biquinhos e soltar beijinhos no ar. Sua língua vai desenrolar feito língua de camaleão !Eu fiz!é divertido. Vem rir como eu fiz ,com meus erros e tropeços...
Ai ,comece a ler , divirta-se com amigos e leia mais uma vez!

Meu nome é cumprido feito centopéia prefiro que me chamem de Gleise , sou mãe de uma menina sapeca e de um adolescente poeta, já viajei muito, mas a maior viagem que faço é quando solto a imaginação.
Uns falam que sou assim , pois sou especialista em educação,”Professora de História“ do Estado de PE , da Prefeitura do Recife, e por ai sigo caminhando!
Na verdade sou feliz, gosto de gente, dos meus gatos, de brincar,de sorrir, isso é o que faz a diferença !
Se você quiser falar o que achou deste texto ou do livro NILIN, publicado junto com meu filho Douglas pelas Edições Bagaço em 2005, e está a venda na Livraria Imperatriz.
Entre em contato Comigo pelo e-mail : gleisecosta@yahoo.com.br
Eu moro em um lugar lindo e mágico entre montanhas e o rio Beberibe, um córrego de águas calmas chamado de Central em um castelo com belos jardins floridos .
Mas meu amigo carteiro Guedes de longas madeixas loiras de sol, agradece se você colocar o CEP 52131521.

ABORTO SOCIAL -POR GLEISE COSTA


Aborto social
Por Valdicleia Gleise da Silva Costa

Estive em uma Feira de Conhecimento no centro do Recife, é uma escola Pública e tradicionalmente formadora de professores para o ensino fundamental [Normal/Magistério], mais que também tem algumas turmas de ensino médio [segundo grau para vestibular].
Questionada por alguns colegas palestrantes que acompanhavam-me como alienígenas vislumbrando o novo-velho mundo do fazer educação para as massas desprovidas e aviltadas. Questionavam-me sobre a visão ousada de “pobres” que sonham com um curso superior.
- Utopia? Ou direito natural da massa dos excluídos, em busca de acessão via escolarização. Mas com a atual escola pública? -estes “coitados” saem mais do que despreparados ao longo da jornada escolar, fazem só volume nos anuários estatísticos para alocar recursos para uma educação de faz de contas.
Uns raros por competência ou auto-didatismo ou pura sorte na loteria do vestibular passam pelo estreito funil, para lentamente serem derrubados ao longo de seus cursos, fadadas ao fracasso e ao subemprego. Mas claro que há os pouquíssimos heróis que superam as adversidades reais, e as dificuldades do imaginário social dos preconceitos, e vencem.
Esses poucos muitas vezes mascaram-se de elite, escondendo seu passado de aluno de escola pública.
Optam por discursos que denigrem os que superam as múltiplas adversidades e conquistam uma graduação, para que suas máscaras não caiam e seus rostos não sejam vistos com suas verdadeiras marcas.
Pessoas que são os nossos verdadeiros heróis, anônimos e ocultos. Envergonhados de seu passado, ou para ser aceitos em seu novo status–quo escondem-se ao invés de mostrar-se como elementos motivadores para os tantos outros que estão em meio à longas jornadas, os muitos que não aceitaram a aniquilação, mais lutam bravamente anos após anos apesar das precárias condições das escolas públicas, e ao mesmo tempo graças à escola pública.
A escola pública é para a grande maioria a única opção, sem ela não há opção! Com ela luta-se apesar de tudo, esperançosamente por um amanhã...
Havia em um dos stands uma rica apresentação sobre o aborto e o direito da mulher sobre seu corpo. Fotos belíssimas de mulheres saudáveis, malhando, abraçadas a homens bonitos, todos com expressões felizes, contrapostas a imagens de abortos criminosos, feitos por curiosos e até por pseudos médicos .
Um álbum seriado foi sendo apresentado ao público presente que passivo assistia a tudo com tanta naturalidade que chocava vê-las.Perninhas arroxeadas, rostinhos desfigurados, e outras tantas cenas dantescas e inexplicáveis em grandes ampliações fotográficas estrategicamente disposta com o objetivo de romper o sono letárgico e hermético, que envolvem muitos ao abordar a questão da saúde da mulher, o direito a vida.Mas que tipo de vida? Foi um momento de horror, as imagens de corpinhos esbranquiçados pelo éter em vidros de maionese exibidos em público como rótulos de cientificismo vulgar.
Algo inexplicável inquietava-me palavras iam nebulando minha mente com letras, sons e imagens fundido-se como em um surto psicodélico.
Questiono-me se o estado de letargia e torpor de todo o público que assistiu as apresentações foi baseado na calosidade de almas brutalizadas pela miséria e violência de um país de miseráveis?
Quando digo miseráveis, não falo dos famintos que povoam as ruas, das crianças que vendem buginguangas ou vendem-se nos sinais das grandes avenidas, das mães brutalizadas pela pobreza que induz a mentes frágeis que precisam de apoio e segurança a pratica pequenos delitos encobertos pela máscara do pesadelo da fome.Entorpecidos pelo inebriante cheiro da cola de sapateiro, e pelo efeito do “artame”, e do medo.
Não falo de armas em mãos tão pequenas que mal podem segurar e apertar o gatilho, mais que tão sedo tem que se ver brutalizadas pelo aborto social.
Falo da miséria humana quando vejo palafitas e mocambos casebres paupérrimo que até os ratos abandonam por tão grande precariedade, vejo corpos estendidos no chão ,assassinados! ,e as bocas que vomitam expressões alicerçadas pela dominação ideológica sem refletir a conjuntura que impôs-se as pequenas vidas sem valor que bradejam de cima das consciências acríticas “- era apenas mais um “bandido” “marginal”e daí?” Prostrados no chão crivados pela violência social é até “fácil” atribuir-lhe culpa, voltam-se para o berço que sempre os embalou as ruas e todas as mazelas que os forjou assim.
A margem da vida, vida sem vida,sem dignidade, vítimas ou réus ? quem as poderia julgar? Eu? um também abandonado pela vida? o senhor que por motivos diversos abandonou a miséria que o cerca entrincheirado-se em condomínios guardados por seguranças cães e câmeras? ou exilou-se para sobreviver e resguardar sua integridade mental e moral fingindo–se inatingível com os frágeis vidros fechados ? No distanciamento fugaz, volátil mais socialmente aceito como natural? Não nos compete julgar? criticar ? conscientizar? Indignar? modificar?
[ No Aurélio= miséria é...1.estado deplorável 2.desprezível,infame 3.perverso,malvado 4.próprio de quem é muito pobre 5.Sem valor,ínfimo.]
Digo do país dos Miseráveis, no sentido da miséria humana da mixórdia administrativa do lucro da volúpia do poder, de corpos sem almas de mentes sem consciência que moldam com minudência os abortados sociais , mata-se a alma em corpos mutilados de uma vida real.
De escolas que deseducam, ou melhor reproduzem o macro mundo que os cercam onde a violência diária, o descaso, e o funesto sentido de aprender , são roubados, do primeiro e principal direito natural – O DA VIDA!
Em estado deplorável de muitas escolas,que não são melhores que suas “casas” reproduzindo o autoritarismo e o descaso com o progresso pessoal, esperando tacitamente a obliteração da maioria, encubando utopias de desempenhar uma função social.
As desprezíveis,infames, políticas públicas com suas “incompetências” de leitura do cotidiano das mazelas sociais ,que tentam moldar e rotular a todos e a tudo como vidros de remédios “placebos” em prateleiras empoeiradas da botica metodológicas das teorias educacionais .
A ação, perversa,malvada, de insuflar sonhos de liberdade, igualdade e prosperidade como em um slogan da revolução francesa dos trópicos , a quem libertará a formação deficiente, inexistente, talvez a fila dos que buscam empregos?, dos que engrossam o caldo dos muitos concursos públicos ?, dos que se sente enganados pela vida? pela falta de oportunidades?, mas que na realidade a baixa qualificação de uma escolaridade que não tem em seus cabedal formativo os elementos para a atual empregabilidade do sujeito das camadas menos favorecidas.
Desprovidos dos múltiplos alimentos que nutrem o corpo e a alma do ser humano, de lazer e recursos, desprovidos de ambiente e estrutura, de saberes socialmente reconhecidos como fundamentais.
É próprio de quem é muito pobre, empobrecidos na senzala contemporânea, envergonharia Gilberto Freire, na grande senzala moderna, pais escravos filhos escravos ou no máximo Capitães do Mato tal analogia envergonha-nos, mais lá no fundo, não terá algo de verossímil? Vejo brutalizados homens e mulheres que em sua maioria chegam ao segundo grau analfabetos de letras, de números, de humanidade.
Envergonhados esconde-se em capas de da rigidez, da agressão do vandalismo, da evasão ,empobrecidos de sonhos de vida ,apegam-se a fé , a mitos a ídolos a políticos eternos salvadores de consciências ingênuas solucionadores de todos os problemas, “mandadores” de todas as ordens, decifradores de todos os destinos criadores de todas as oportunidades . Falácias das desesperanças, crivo real de dominação de seus senhores ocultos, está na pele pálida, às vezes gordas ou magras, opulência opugnável de mazelas, roupas rotas , dentes falhos, mentes...
Sem valor, ínfimo, o trabalho empregado jogado fora , que dá muito mais trabalho e contunde muito mais profundamente que se bem executado, o quanto custa manter na escola uma criança dos seis aos 18 anos em média ? quarenta crianças por sala ? quatro horas por dia ? de quatro a cinco semanas por mês? onze meses por ano ?
Instumentalizando–as em leitura e interpretação , escrita , cálculo, texto e contexto em história, geografia ciências literatura ,línguas,direitos e deveres artes ecologia tecnologia.
De dignidade humana! Permitindo-lhes o sagrado direito de sonhar, e lutar por seus sonhos, e ver seus esforços recompensados quando percebem cidadões .
Custa muito, em marginalidade, em oportunidades, em dignidade, custa proporcionalmente a policiais, a presídios , a assistencialismos , a saúde pública , custa à dignidade custa ao turista , custa ao país .
Sabemos que há, e sempre haverá bons e não tão bons profissionais em todas as áreas ,mais o esforço de inúmeros dos nosso professores de escolas públicas devem ser reconhecido.
Trabalhando em condições precárias, salários vergonhosos, sem reconhecimento nem oportunidades, tem de ligar os dois mundos e criar condições de adequar o melhor possível às legiões de jovens ao mundo de regras rígidas do saber culto, e tecnológico. Promovendo, o respeito às instituições e as leis, o amor próprio, a consciência crítica, e a competência dos saberes que os instrumentaliza para a vida produtiva.
Quando defrontar-se no próximo semáforo com aqueles grandes olhos brilhantes que seu medo não seja de um assalto, mais do que eu, você, nós fizemos, ou melhor nos omitimos e por omissão referendamos tacitamente.
Urge transformar este país no país de homens mulheres e crianças o país de oportunidades se não iguais mais pelo menos mais amplas, o país da esperança. Não mais um país de Miseráveis .
E eu poderei assistir a uma feira de conhecimentos que fala do direito ao aborto, do direito da mulher de decidir sobre seu corpo, sem segurar a bolsa apavorada olhando para os lados, sem ficar chocada com as pichações, e degradações das instalações, sem ter uma resposta para calar a boca dos que criticam a incompetência dos nossos verdadeiros grandes nomes que constroem a História Real do Brasil com seus esforços pessoais, abandonados, violentados em seus direitos, mais guerreiros que lutam, e forjam-se pelas adversidades e diferente dos que se omitem e são coniventes com as atrocidades existentes co-participantes do aborto social que vemos ser feito em massa como um genocídio pós-moderno.
Pois estarei assistindo um país que aprendeu a respeitar o seu povo propiciando oportunidades reais a todos. E não bolsa esmola, a um país que percebeu que só resta-nos um caminho, a EDUCAÇÃO de qualidade que propicia oportunidades a todos independente de seu estamento.

QUADRILANTES

Quadrilantes

Em um mundo quadrado quadriculava aos quatros cantos um quadrado casal e seus filhos quadrados.
Mas não estava completa a família quadrada, aguardavam o quarto filho quadrado para serem muito mais felizes em seus mundinhos quadrados.
Bem perto das quatro horas nasceu o tão esperado filho, mas já no hospital, quatro médicos quadrados que estudaram por anos em universidades quadradas, aperfeiçoando seus diagnósticos quadrados abordaram o quadrado casal :
-Infelizmente seu quarto filho não é um quadrado normal !
-O que de errado ocorreu Doutores Quadrados ?
-O que ele tem doutores? Perguntam em uma só voz os pais quadrados?
E suas vozes ecoaram aos quatro cantos do apartamento do hospital.
-Bem !!!! Respondem os médicos quadrados com caras carrancudamente quadradas ao dar a notícia .
-HUMMMM!!!! O termo técnico para “isso“ é complicado demais.
Mas basta vocês entenderem que seu filho é um... é um... Desculpe-nos , vocês que quadruplicar suas forças ,mas seu filho é um ... TRAPÉZIO !
Que choque para aquela família que por toda sua quadrada existência só ao quadrado perfeito conheciam.
Aguardavam o seu quarto filho quadrado e sabiam muito bem o que esperar de um bebê quadrado pois outros bebês quadrados já experiência tinham, como as fraldas quadradas trocar, como quadradamente alimentá-lo ,como levá-lo para passear em parques quadrados , sabiam quando andariam com seu passinho quadrado , como falariam quadradrêz .
Sempre tudo a sua volta havia sido quadrado , os filhos de seus amigos eram quadrados.
Afinal o mundo era quadrado ou não era?
Sabiam ser quadrados , valorizavam o quadrado pois quadrados eram .
Agora como enfrentar os quadrados olhares , os comentários quadrados dos amigos e parentes nos cantos quadrados ?
Como um casal quadrado perfeito com uma quadrada família perfeita em retas linhas quadradas ,um filho não quadrado tiveram ?
Como dizer ao mundo quadrado ? Como ser pais quadradamente perfeitos de um bebê Trapézio?
Nunca por suas cabeças quadradas passou a possibilidade de sua família quadrada não ser assim tão quadrada .E tudo isso os assustava.
A primeira reação foi a negação .
Afinal os doutores quadrados poderiam ter se enganado.Os quadrados doutores explicaram que não .
Não há engano !Não !Não !Não!
A mulher quadrada ainda muito assustada mas determinada enxugou suas quadradas lágrimas falou do fundo de seu quadrado coração de mãe.
- Ele pode não ser um quadrado perfeito mas nós o amaremos e lutaremos para que seja o melhor quase quadrado que pudermos ajudar a ser...
Tratamentos ? Remédios? Vacinas ? O que poderemos fazer? Para fazer nosso pequenino quase quadrado um quadrado perfeito ser?
Os médicos quadrados assim negaram quadradamente ao casal qualquer possibilidade de um quadrado Trapézio algum dia se transformar.
Entre lágrimas quadradas o casal assustado, mas resolutos a lutar , e a dar a seu filho que não era um quadrado “normal”.
Uma vida mais quadrada possível ,e encaixar seu filho em um mundo de formas predeterminada –mente –“certa” .
Dos quadrados rostos de pais quadrados de um mundo quadrado rolaram lágrimas quadradas pois não sabiam ao certo o que esperar .
Em um mundo tão quadrado , como seria a vida de seu amado filho “não quadrado” .
-O mundo a nossa volta é todo pré organizado para os quadrados , quem não é quadrado nesse mundo como é possível sua existência? Perguntou o pai quadrado com seu senso prático.
Mas uma família quadrada cheia de amor aos quatro lados decididos estavam em dar a seu filho Trapézio a vida mais quadrada que o amor pudesse criar.
Pais preocupadamente quadrados , a vários especialistas consultaram teve um que ao pequenino Trapézio quis em uma forma de aço moldar para que ao ir crescendo em quadrado se limitar .
Outro grande e renomado falou logo em cirurgia, se cortarmos daqui e dali quase quadrado pareceria .
Foram até para um guia espiritual que aos espíritos ancestrais dos quadrados originais apelou ,mas de nada adiantou .
A segunda atitude dos quadrados pais , foi a aceitação .
Um certo quadrado dia fizeram uma reunião uma mesa quadrada com seus quadrados filhos , e decidiram buscar melhorar a vida o máximo possível para o pequeno Trapézio .
E todos da família quadrada por amor a Trapézio alongaram seus horizontes .
E engajados pela felicidade de trapézio lutariam , só que de agora em diante em outra forma não mais o tentariam transformar.O mundo quadrado é que se adequaria condições de Trapézio um especial cidadão.
Agora alertar o mundo que Trapézios em um mundo quadrado tem direitos de viver em plenitude , tem direitos e deveres como qualquer cidadão pode ir pra lá e pra cá de ônibus ou nas calçadas passear , tem direito a trabalho ,a família e a educação.
A ser um perfeito trapézio feliz .
Os primeiros passos de trapézio e sua família não foram fáceis , tanto tinha que superar ,mas um passo de cada vez em seu ritmo ele seguiu sua caminhada .
Em uma escola quadrada de quadrados professores, prontos para quadrados jovens formar.
Trapézio foi matriculado . Um universo de possibilidades e aprendizagens para quadrados e não quadrados .
Trapézio teria uma nova jornada a seguir e uma grande luta a travar...
E nem quero falar dos quadrados degraus , nas quadradas cadeiras , dos banheiros quadrados , da cantina quadrada com seus lanches quadrados e nos caras caretas quadrados que pensavam quadrados riam quadrados e de tão quadrados até seu coco eram quadrados!
Ainda tinham os pais quadrados com seu olhar quadrado ,questionando a influência danosa que Trapézio poderia causar, não sendo assim um quadrado ao grupo de mentes jovens quadradas com certeza os distrairia ou pior os levaria para um caminho não quadrado na vida é isso era impensável em um mundo quadrado.
Pois seus filhos quadrados com trapézio teriam de estudar ,atrasaria os quadrados esse não quadrado no grupo !E por horas de convívio de puros quadrados com um trapézio o que isso poderia gerar ?
Muitos quadrados pais fechados proibiram de seus adoráveis perfeitos filhos do trapézio se aproximar até com a direção foram falar o perigo questionaram o que o trapézio faria ali naquela quadrada e respeitável instituição.
De forma alguma poderiam aceitar tal mistura seus filhos quadrados com um..um.. não quadrado .
Trapézio,e sua família mais essa teve que superar .
E se necessário fosse as quadradas leis apelar .
Mesmo que muitas vezes isolado sem amiguinhos quadrados no recreio tivesse que brincar sozinho sentado no mundo quadrado ele não desistiu e lutou .
-Um dia de cada vez mais distante estou do inicio da jornada superar sei que vou !
E uma lágrima não quadrada de seu rosto rolou.
Trapézio um certo dia teve quase um ataque do coração que parecia explodir de seu peito tamanha a emoção , primeiro amor o fez engolir em seco , tremer as pernas , não saber o que dizer , perto daquela que ele amara queria o tempo todo se manter começou a achar rima em mão e em balão , qualquer palavra valia para fazer uma canção ,para a doce eleita de seu coração.
Seria possível ?Trapézio apaixonado estava! Mil sonhos traçou mas sua alegria pouco durou.
Ser olhado ,julgado ,medido e mais uma vez rejeitado por ser trapézio e não quadrado isso o machucou. E mais uma luta travou , é direito de um não quadrado !!! Também o amor!
Varias vezes Trapézio chorou escondidinho em seu quarto quadrado em seu travesseiro quadrado ,e quando o dia de sol raiava lá estava cheio de convicção lutando e superando cada obstáculo cada degrau quadrado em sua jornada.
Um dia bem distante das dores que vivia ,sabia que encontraria a pessoa certa que não olharia só sua forma mais sua essência longe de formas rígidas e frias .
Mas trapézio em sua vida aprendeu a guardar as lágrimas a superar a imagem de quadriláteros perfeitos que escondem suas verdadeiras formas na aparência igual, imagem que não mostra o real .
Trapézio aprendeu a crescer por dentro , além das formas de um mundo quadrado que vive preso a um a única forma de valores quadrados de uma sociedade quadrada que não consegue perceber que quadrados e trapézios todos são formas geométricas planas com quatro lados ergueu sua cabeça e gritou bem alto polígonos somos todos nós não importa essa “quadrada divisão”.


Tema :deficiência e inclusão

A chegada de um filho “ diferente” , provoca a reflexão de uma família quadrada ,que terá que encontrar novas olhares para um mundo quadrado.


Valdicleia GLEISE da S.COSTA
Contato : gleisecosta@yahoo.com.br

AS COISAS EXISTENTES


A EXPRESSÃO GREGA TO ONTA QUER DIZER: AS COISAS EXISTENTES, OS ENTES OS SERES.
Valdicleia Gleise da Silva Costa
I - A expressão grega To onta quer dizer: as coisas existentes, os entes os seres.No singular se diz To on, -O ser

“Não podemos banhar-nos duas vezes no
mesmo rio porque as águas nunca são as
mesmas e nós nunca somos os mesmos.”
Heráclito de Éfeso.

Há uma grande preocupação por parte de pais, educadores, e a sociedade em geral com o conhecimento.Há uma busca por melhores escolas, linhas e abordagens, emprego de tecnologias, sofisticação dos meios, altos investimentos, capacitação de pessoal e tudo o mais que se impor para “conhecer”.
A busca pelo conhecimento não é algo que possa ser atribuída à sociedade tecnológica. Praticamente todo os povos ao longo da história procuraram desenvolver formas diversas de conhecimento, que em via de regra derivam-se das necessidades mediatas do homem, de sobrevivência e ou poder.
Há algum tempo atrás, compartilhei experiências com um grupo de aprendentes em que um deles repetia um tipo de jargão, que se originou da fusão do conhecimento formal e de seu conhecimento da realidade:
-“saber é poder! e eu só sei que não posso.”
O que a principio pode parecer ingênuo e engraçado reflete o que o senso comum tende encontrar através de justificativas e valores do censo comum
Configurados em suas crenças e observações, e o que exprimem de forma simples resume o “conhecimento” empírico de um dado grupo social histórico e politicamente arraigados.
Mas a sensibilidade aflora o saber incipiente, mesmo que não se consiga sistematizar de forma elaborada o que se intui.
E nutre-se de verdades históricas de uma sociedade de classes onde ter e ser confundem-se.
Para Sócrates podemos conhecer a verdade, mais primeiro devemos afastar as ilusões dos sentidos e as ilusões das palavras ou das opiniões e alcançar a verdade apenas pelo pensamento.Portanto Conhecer é passar da aparência à essência, da opinião ao conceito do ponto de vista individual à idéia universal.[3]
Como “ter” conhecimento? Como tornar-se um “ser” em meio a tantas imposições do “ter”? através do saber? como fugir do mundo das ilusões na busca do conhecimento?
O ser pode obter conhecimento através dos meios de comunicação dos mais elementares aos mais sofisticados.Pode obter conhecimento através do diálogo com o outro, pela reflexão crítica, pela observação e sistematização de seu mundo mediato, poderíamos listar inúmeras etapas.Mas que na realidade apresentam a dualidade da informação –conhecimento.
Para “Platão” há quatro formas de conhecimento que são hierarquizados em graus: a crença, a opinião, o raciocínio e a intuição intelectual “[4].
Nós vivemos em uma sociedade tecnológica onde há acessos diversos e diversos níveis de acesso ao conhecimento.Para o ser tornar-se detentor de conhecimento são necessários vários níveis de leitura dos dados.A informação pode chegar ao ser em vários estágios de “conhecimentos”. E caberá ao ser não “absolutizar”, mais sim fragmentar o todo absoluto em partes analisáveis.
Há vários níveis de leituras: a leitura da imagem, leitura da realidade a leitura da subjetividade dentre outras, mais todas as formas de leitura subtende-se a compreensão, e a apropriação por parte do ser sobre o objeto enfocado.Só através de um exercício de apropriação de realidade, de reflexão conjuntural e que o ser apropria-se do objeto conhecendo-o.
A família é o primeiro grupo social a influenciar o ser nos desvendamentos das verdades, ou da leitura de muno que esse ser faz. Mas a sociedade é mutante e as atribuições de papéis por parte de seus membros vêem sendo gradativamente substituídos e alguns até mesmos instintos.
Neste paradigma revemos o papel da escola. Não como instituição formadora e firmadora de conceitos mais como agente de transformação do novo ser que se forja.
Na escola se dá, o letramento possibilitando a leitura da palavra escrita, a leitura do mundo em vários níveis.Mas se não houver por parte da escola como instituição o objetivo precípuo de transformação desta sociedade, tornar-se-á uma repetidora, uma moduladora de seres.
A escola é muito criticada mais é o principal meio das classes desprovidas de meios de ascensão social e capacitação para sua inserção num mercado de trabalho cada vez mais seletivo, excludente.
Cabe a escola instrumentalizar o ser como agente social. Gerando transformação na sua abordagem das verdades cotidianas.O letramento é apenas uma etapa neste processo, após o ser conquistar a leitura da palavra é fundamental que conquiste outras etapas de leitura de realidade! .
Os resultados do PISA2000, demonstra claramente que a leitura da palavra ainda não foi conquistada por boa parcela da população e aos que a conquistaram, estão em bases elementares da leitura funcional.A leitura como forma de libertação pessoal de descoisificação do ser.
Há “uma escala de” recuperação de informação “traduz a capacidade dos estudantes de localizar informações em um texto. Uma escala de” interpretação de texto “traduz a capacidade de construir significados e fazer inferências a partir de informações escritas”.
Uma escala de “Reflexão e avaliação” traduz a capacidade dos estudantes de relacionados textos com seus conhecimentos, idéias e experiências. Além disso, uma escola combinada de letramento em leitura resume os resultados dessas três escalas.”[2]
Cabe a escola possibilitar vários instrumentos de leitura. Ler é uma necessidade política de transformação social. “A leitura e o envolvimento com leitura são fatores decisivos na manutenção e futuro desenvolvimento de habilidades”.[1]
Para o ser conscientizar-se, valorizar-se e perceber-se como essencial para as conquistas e processos transformadores da sociedade. Descobri-se como essência da sociedade.
Lênin dizia que a verdade absoluta é a soma das verdades relativas, da mesma forma que um país é composto de indivíduos, das partes para o todo não se pode transformar um país sem transforma o homem. É hora da valoração do se

II-Textoteca
“Se os olhos não fossem solares”
jamais o sol nós veríamos; se em nós
não estivesse a própria força
divina, como o divino sentiríamos. ”
GOETHE

Ler é um exercício, e por tanto são necessárias etapas de adaptação, graus de aprofundamento e análise.Para Sócrates ”o raciocínio treina e exercita nosso pensamento para uma purificação intelectual”.[1].
É necessário quebrar os bloqueios, as barreiras que obliteram as possibilidades de contatos contínuos e eficientes com os textos escritos.A princípio, podemos enumerar as dificuldades de acesso ou mesmo ausência de textos nas residências e no dia-a dia de boa parcela da população, o bloqueio de alguns em iniciar a leitura pelo simples desconhecimento do significado de muitas palavras.
A questão motivacional, para que ler? se tudo [ou quase tudo ] será apresentado no rádio sem esforço, é só usufruir ou na tv com imagens coloridas, e sons, que mexe com a emoção e a percepção.Para quem não tem o habito de ler as “entrelinhas” de imagens e sons como exigir a compreensão e percepção crítica do texto escrito.
O texto deve ser adequado ao nível do leitor, e por tanto o educador deverá fazer uma adequação do texto ao grupo de leitores.Os principiantes no processo de leitura precisam avaliar algumas etapas para iniciar a aproximação do leitor e do texto escrito.
Para iniciar o ambiente é fundamental, luminosidade, climatização, acústica, etc. Mas não podemos esquecer das questões orgânicas que também afastam o leitor do texto, -se não tenho uma boa visão este será mais um obstáculo para rejeitar o texto escrito.
A adequação aos interesses pessoais com o texto escrito, e a gradação do vocabulário, não podemos também esquecer de instrumentalizar o leitor com coisas simples como a busca alfabética das palavras no dicionário, funções dos sinas de pontuação, distinção entre ficção realidade E quebrar paradigmas com naturalidade refletindo criticamente sobre os apelidos depreciativos [por mais arraigados no meio que estejam ].
Se, tenho que recorrer ao pai dos burros -burro eu sou! E ninguém quer esse título pra si, por tanto não consultar o dicionário cria a imagem [errônea] de que domino completamente os termos do texto.
E quando na realidade não domino, não conseguirei fazer uma leitura do texto em todos os âmbitos, criando uma certa rigidez e distanciamento de determinados textos e contextos.
A desmistificação do uso do dicionário é uma etapa fundamental neste processo.Outra etapa realmente significativa na primeira fase é a escolhas de textos do cotidiano, revistas, jornais, receitas, poemas, bulas, propagandas, etc para permear no grupo a noção de funcionalidade do texto.
Antes de iniciar o grupo na leitura do texto escrito, exercite a leitura de imagem, do comentário individualizado ao debate coletivo, propiciar imagens que possam gerar várias interpretações e gerar no grupo um ambiente propicio a cada um ter o espaço e o respeito do grupo em suas posições, e em expor suas idéias e mudá-las se assim achar adequado, sem pressão, não de forma mecânica, mas um ambiente livre, de respeito, de cumplicidade entre todos.
Com as etapas elementares concluídas e com o grupo bem entrosados daremos início a etapas mais profundas, “o mergulho no texto”, compreender a função deste texto e seu contexto histórico, os interesses envolvidos e a linguagem envolvida, propiciar reflexões como a quem realmente interessa todo um vocabulário técnico nas embalagens de alimentos, o que precisam camuflar com termos de difícil compressão?
Quem lucra e quem perde, quando não há compreensão do que lemos? qual a função de um texto publicitário, quanto há de verdade em um texto?qual idéia esse texto quer vender? Quando eu não reflito criticamente o que realmente eu leio? Para tal não é necessário pudor em utilizar-se de diversas outras mídias [tv, músicas, programas de rádio, jornais, panfletos, revistas, internet, etc].
Com esta fase bem desenvolvida agora já é hora de inserir textos mais complexos, podendo utilizar crônicas como pontes para texto mais elaborados lembrando de vez em quando apresentar textos extensos mais simples para também quebrar os bloqueios com relação à extensão, a forma, etc.
Ao longo de minha jornada desenvolvi a textoteca.
A Textoteca são textos numerados, catalogados por temas, onde poderemos encontrar textos que se cruzam e com gradação de dificuldades, o aluno poderá fazer desde a leitura inicial ao aprofundamento do tema, e a reescritura do tema para socialização com o grupo.
Todo o material encontra-se em pastas, com índices dos temas e subtemas e com notas para concatenamento de assuntos.

1º Momento
• Apresentação da textoteca ao grupo explicando seu posicionamento na aula se será utilizada como introdutória de um tema, ou de fechamento de tema de aula e quais os objetivos desse trabalho, o que a professora[o] espera encontrar junto com o grupo ao final da atividade.
• Determinar tempo com o grupo para utilização do material e coleta de resultados, estabelecendo sub datas de avaliação e controle do andamento.
• Coletar com o grupo suas opiniões com o início destas atividades e suas expectativas [guardar em portifólio para o fechamento da atividade ser confrontada as impressões iniciais e as conclusões das experiências ao término do trabalho.
• Deixar clara que o objetivo final não é a atribuição de nota, rótulos, conceitos ou qualquer tipo de premiação, ou suborno para ingresso no processo, mais sim um compromisso o grupo de crescimento pessoal e aproveitar par estabelecer a carta de intenções junto ao grupo
• A carta de intenções deverá ser redigida pelo grupo através e comissões com todas as regras claramente estabelecidas ações para controle de dispersão e o papel de cada um na atividade [todos devem assinar a carta de intenções, e o educador quando achar conveniente relembrar as regras e o compromisso acordada pelo grupo]
Por exemplo: Pasta nº 01:
1. Tema Gerador - Segunda Guerra Mundial – por cores pela gradação de níveis.
2. Subtemas- SB-1= Causas do conflito
SB-2 =O Brasil na II guerra
3. Temas para aprofundamento-
T.A-1-Olga Benário
T.A-2-Os Judeus

• Contendo textos simples a mais elaborados graduados com cores. Textos com etiqueta verde são texto de fácil compreensão, laranja textos mais complexos e textos azuis textos que necessitam um pouco mais de reflexão e ou aprofundamento vocabular.
• Com subitens correlatos, etc.
• Temas ponte que são sugeridos no rodapé do texto escolhido com temas para aprofundamento como, violência, tortura, estigma etc.
• Todos os alunos devem ter um roteiro básico com o número do texto, título, obra, fonte sua apreciação, e reescritura do texto [quando solicitado ou se o aluno desejar ] para controle de quais e quantos textos já foram lidos.
• Criar momentos de expressão oral, artística [plástica]
• Vídeos criados sobre os temas como matérias de um tele jornal sobre o tema central para aprimoramento a expressão oral.[ou debates, mesas redondas, paródias etc]
• Estimular círculos de leitura, como por exemplo, texto para teatro.
• Visitas a bibliotecas para confrontar obras raras, textos antigos, capas de escritores brasileiros publicados em outras línguas.
• Visita a livrarias, editoras, sebos etc.
• Sugestões, e seções de filmes sobre o tema gerador.
• Pesquisa de bibliografia sobre o tema gerador.
• Oportunizar a transdisciplinalidade com o trabalho em ciências sociais, o leque torna-se bem amplo para disciplinas como: filosofia, sociologia, história, geografia, português, o que não impede, mas na realidade desafia-nos a integrar com disciplina! s como física, matemática, química etc.

2º Momento
• Ampliação de acervo da textoteca.
• Pesquisa de bibliografia sobre o tema gerador.
• Avaliar com o grupo suas produções, ou mesmo reescritura, elegendo alguns texto para fazer parte da textoteca
• Definição da ampliação do acervo da textoteca quais os novos textos a ser inserido, avaliar se algum deve ser removido e por que? e com o grupo definir onde o novo texto encontra-se em grau de dificuldade atribuindo ao mesmo a sua cor de gradação; se o novo texto encontra –se em que posição na caixa do texto em que subgrupo, em tema, subtema ou temas para aprofundamento.
• Criar a Identificação Básica de Orientação Textual [IBOT]- um tipo listagem com os “10 mais”, com comentários para a próxima turma que acessar a textoteca.
• Apreciação individualizada para a fase de socialização dos portifólios.
• Nesta etapa a textoteca poderá ser um elemento complementar, sem que haja a intervenção do educador para a pesquisa de temas pelo grupo, mais a busca pelo prazer de ler.
• Dependendo das condições dos envolvidos, pode-se criar um BLOG na internet e até mesmo uma página [há vários hospedeiros gratuitos] e ampliando a experiência do grupo sobre outras mídias.

O mais importante é estarmos aberto a novas experiências educativas, vendo uma função sócio-política em nossas ações, não permitindo abater o animo ao depararmos com obstáculos que com certeza surgirão, e sim utilizar os obstáculos como fonte propulsora motivando-nos a frente pois o progresso pode também ser “ dois passos a frente e um a trás”Lênin, mais mesmo assim estaremos um pouco mais além do ponto inicial.

“Não endureçais os vossos corações, como na provocação, no dia da tentação no deserto.” Hebreus : capítulo 3 versículo 8 [2]

Rodapé
1. Resultados do pisa,Resultados gerais da aprendizagem, 2000.op.cit.,p.112.
2. Resultados do pisa,Resultados gerais da aprendizagem, 2000.op.cit.,p.36
3. CHAUÍ,Marilena. Filosofia-série novo ensino médio. Ed.ática
4. Idem.
1.CHAUÍ,Marilena. Filosofia-série novo ensino médio. Ed.ática
2. Novo testamento
BIBLIOGRAFIA


Conhecimentos e atitudes para a vida: resultados do PISA 2000-Programa Internacional de Avaliação de Estudantes/OCDE- Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico;[tradução B & c Revisão de Textos S.C.Ltda.].-I ed.-Moderna.
Construindo o saber: técnica de metodologia científica / org. Maria Cecília M. de Carvalho.-2.ed.-Campinas,SP: Papirus,1989.
CHAUÍ, Marilena. Filosofia-série novo ensino médio. Ed.Ática
Novo testamento, Hebreus: capítulo 3 versículo 8
Lenine, biografia, ed.Progresso.
Valdicleia Gleise da Silva Costa - Profª Gleise Costa – Especialista em Educação, Professora em escola Pública de Recife em Pernambuco

cap3 -Na beira do Rio Capibaribe por Gleise Costa

3- Na beira do rio Capibaribe

Menino que sempre , sempre foi arteiro , dos irmãos nem era o mais velho nem mais novo , estava ali meio pelo meio de muitos rostos inexpressivos , mas tinha no peito a fome de mundo , que quebra as amarras do medo , e suscita a coragem na alma ,desbrava rompe e segue.
Naquela manhã , quando foi suspenso por ter se metido em mais uma briga feia na escola enfiou o bilhete para mãe no bolso emquanto a auxilar de disciplina , separava outra briga pulou o muro dos fundos da escola e subiu no primeiro ônibus que passou , num misto de revolta e liberdade , teria toda a tarde livre , até a noite teria tempo para ser feliz antes das lapadas rasgarem a pele em marcas , que mascaram o medo .
Derrepente foi parar em uma rua outro ônibus e muitas ruas , casa e prédios bonitos , vendedores berrando , um misto de alegria e liberdade e a beira de um rio de águas escuras , desamarrou um pequeno barco e sem ser percebido saiu ao sabor da maré ,livre pela primeira vez livre, acomodou-se calmamente com todo o tempo do mundo pensou no estanho que falou tantas asneiras.um maconheiro tarado ? –pensou.
A cidade ardia em sua volta com carros e buzinas ,latejando liberdade em suas temporas , o povo corre de um lado para o outro ,é tanta agitação , música , barulho , mas as águas em seu balanço calmo acalenta seus medos , uma surra ao voltar para casa , isso não seria uma boa ,e ficava latejando em sua cabeça, se fosse possível viver eternamente sobre as águas ao balanço do vento , sem medo , mergulhado em si mesmo.O calor , goteja a testa e burso .Calor ...
Um mergulho de palmas em flecha joga-se a liberdade das águas turvas do Capibaribe , como na vida joga-se de cabeça.
-Ei, você ai!
-Quem está falando?
-Aqui em baixo ...
-Onde?
-Aqui , não quer me ver ? abra seu coração , aceite , eu estou tentando me falar com você .
-Diabos! me belisquem é um si...
-HAAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIII!!! você me beliscou!
-Você pediu, quer dizer você precisava para crer que eu falava com você.
-Você é maluco ou algo assim?Fumou goia de baseado?foi??
-É deixa de caso , a horas que venho ouvindo suas lamentações , você fica se lamentando nesse seu barquinho e lamentando-se de sua existência em voz alta umas trinta vezes , ou você é poeta moderninho , ou quer compor um repente, decida , suas rimas são fracas, mas há possibilidade em sua ...
-Essa coisinha nojenta pensa que é o que? Ou ...Pior ainda acho que eu é quem fui contaminado pela poluição estou falando com um siri no rio Capibaribe o maior esgota aberto , só pode!do doido, fui contaminado , to zoró! Ta na cara que eu não posso está normal.
-Para com isso , deixa de pieguice , já a algum tempo venho te observando , resolvi que era a hora de contatá-lo para ,você parece um humano legal .e qundo você deu aquele flexeiro de cabeça , surgiu a oportunidade ,e ai ta você!
Eu e meu grupo estamos envolvidos em uma causa , perigosa , mas de cunho sócio-político, de conseqüências globais.
-Agora deu ,siri com causa política libertária??!! Há , há, será que o esperto siri pretende libertar presos políticos da Colômbia , desmantelar a rede de tráfego de drogas , ou melhor ainda vocês siris do Capibaribe seqüestraram o presidente dos Estados Unidos para cobrar um regate , e com o dinheiro pretende dá uma faxina no Capibaribe? Há ,há...
-Suas idéias não são tão ruins garoto ... Cirilo acho que vou anotar esta última.
-Para com isso Pibaldo , isso é lá coisa que se imagine .- Cirilo ascena copm a cabeça .Cortando as viagens de Pibaldo .
-Como posso observar você não é só um pirralho, mas é um garoto bem esperto .-Diz Pibaldo pode ser bem útil a nossa organização.
_Se eu fosse esperto não estaria falando com um siri , e o que é isso mesmo ?
-Pibaldo ao seu dispor.Piaba da gazeta do Capibaribe .o maior e mais completo meio de comunicação de massa das águas , também um dos mais antigos da ...
-È com uma piaba !Eu estou muito louco mesmo. Olha que já comi muita piaba frita com farinha na vida salgadinha crocante é uma delicia ,ei coisinha quer pular pro meu buxo?
-Tudo bem entendo que é um choque para você , mas já deu para recuperar do impacto de nós encontrar poderemos bater um papo/-enquanto o menino dá voltas de pibaldo em fuga
-Eu te aguardo o tempo que for necessário .Encerra Cirilo.
-Agora deu !
Cirilo mergulha , e desaparece em meio a lama escura do manguezal.E lá assoberbado, fica o menino como uma estátua, em estado de choque sem saber o que pensar ou fazer.e começa a gritar .
-Ei ,bichinho esquisito vem cá vamos conversar.Piabinha? vem cá? Não me deixe só,vem cá paibinha...
-Você já quer conversar garoto? Então sou todooooo ouvidos! Eu e meus leitores estamos ...
- Não você piabinha o siri medito a agente do Greenpeace!
-Tu tem cara de bobo , mas de bobo não tem nada em moleque! –da um 360º no meninoformando um turbilhão nas águas .
-Cadê seu amigo ? Em piabinha ? Vai buscar ele vai? Seu...
- O Cirilo é assim mesmo , só vai vir quando quiser , sabe garoto , você teve a oportunidade de falar com o representante mais importante do Capibaribe e quem sabe dos reinos que seguem ,o ATA -água terra e ar.
Sabe moleque o Cirilo tem muitas responsabilidades, todos nós dependemos das suas decisões e agora ele está engajado em uma grande missão .
- Há , legal eu tive a honra de falar com uma grande autoridade das lamas podres do Capibaribe, quanta hora! Acho que nunca mais vou esquecer o grande privilégio de ter sido escolhido entre tantos meninos pobres do Recife ficar louco ao sol do meio dia e falar com um siri !
Tá bom ... Conta outra. Vai?
-Vem comigo Garoto eu te mostrarei o nosso mundo , afinal esse mundo de certa foram também é seu.
O Recife é seu , o Capibaribe é seu !
-Bem já que eu fiquei “lelé” da cachola mesmo ! Tudo bem .Passa piaba!
-Piaba não eu sou Pibaldo! E nada de botar a maõ sai pra lá! – sai a frente serelepe olhando pra trz de vez em quando.
-Vamos Garoto , temos uma grande área para percorrer , deixe de ser molenga !Esses humanos se acham , tirando raras ,êpa Garoto isso doi , eu já te falai me larga !
-Agora deu estou recebendo ordens de uma piaba.
- Largo você ai em Garoto , ai quero vê !
O garoto e a piaba , saem pelo Capibaribe conhecendo-se importunando-se e aprendendo sobre suas diferenças ,respeitando-se [quando possível] .

cap´2 Primazia CIRILO de Gleise Costa

2 Primazia

Em um beliche bambo , um pano em trapos alcunhado de lençol recobre pequenos corpos , anêmicos , de peles douradas de sol, cabelos como fogo ardente , lábios que quase não tem pelo que sorrir, contrapõe com um olhar vivido esperto como um raio na escuridão ,esse olhar que grita mudo , eu posso ,eu quero , e luto .Mesmo que a vida me diga não!
Uma mulher gorda , com os peitos caídos , tetas murchas de tanto bebidos, o seco leite que relutante gotejar , nas bocas uma a uma de uma fila infinita de bocas abertas nas noites mal dormidas , que a fome insiste em acompanhar , será que a fome já não se satisfez com todas as horas do dia ainda persiste em languida se esfregar pela noite a fora ?
Segue a mulher sua nobre missão de acordar um a um para escola , lhes olha com os olhos fechados de sono ,de sonhos ,mas o marca do tempo não lhes permite mais sonhar .
Um a um em fila levantam seguem de cócoras pelos cantos com cuia e água a cara lavam em silêncio , escovam os amarelos dentes e em um lampejo olham pro céu como que dizendo será que hoje será melhor?
Hoje, tá bom, tem café e cuscuz seco , a margarina já acabou, um a um lambem os pratos , vestem-se e vão.
Meninos,meninas , em silêncio mesmo. Um dizer sem palavras entreolham-se um ao outro seguem, sem carinho,desconhecem sem resistência seguem ao lado de iguais nos infortúnios desconhecidos irmãos, para onde ?
Uns diriam para um futuro melhor vão a escola, mas sabemos que a escola ensina bem as elites .Como quem diz são capazes de prepara-se para a vida academica ,treinando uma elite para o comando ,aos pobres um arremedo de educação que fala de coisas que seus mundos não capta na materialização infinidades de nãos! Não falam na escola como fugir da surra que a vida logo lhes dará sem comiseração , do despreparo para o trabalho do inglês do verbo "TÔBIE", visto sem utilidade para que refaz “oitus” ,”pobremas” de compreenção Se a mater lingua nacional abortada por Camuns é dialeto de periferia se faz entender, “nos ta ligado” , “manos” , “minas” ”galeras” e inomeaveis intergeições que substituem frazes completas na converssação .
Por anos a fio passa de sala em sala sem reprovação de vida ,cumprindo tabela ,sem realmente entrar no jogo , sem saber ler direito sem contar ,sem servidão pro mundo que lá fora grita capacite-se para pelo menos na fila dos desempregados ficar. Internet,inglês, boa aparência , escolarização , graduação ,pós, MBA.Titulos?Só o de crédulo eleitor.
Esses meninos e meninas mal podem esperar o dia que a sorte releve-os de sua agonia e um bico , possam pelejar pra ajudar em casa , pra cosias comprar como em qualquer lugar do lundo feito na televisão , que nos educa mais para a sociedade de consumo compulsivo os despropriados de comprar , sonham ter , como? Tortura moderna !
Seguem a mãe em sua missão pelas escadarias abarrotada de lixo , canaletas entupidas ,como suas vidas ,procurando um caminho para o curso natural das águas , se não há curso forja-se um caminho , aperta-se de vagarinho , não estranhe se um dia arrebentar, e levar como na vida as barreiras que as encostas relutam em segurar.
–A mãe fala como quem dá uma lição para a vida , lição mais fecunda que cadernos abarrotados de cópias de garatujas sem significados que a escola lhes impõe.
“ O pão é pouco mas, em compensação o trabalho é muito, se ajudem e se protegem os maiores cuidem dos menores , vê se naõ me faz perder trabalho outra vez pra falra com o “ômi” da coisa tutelar lá da escola ,não fiquem pela rua a rua só tem o que não preste da escola pra casa ,entenderam????! – Com a voz embravecda como quem passa um cermão infecundo ,faz um muxoxo e diz: -Meninos se cuidem de noite chego com pão , até!”
Nem tempo há para um prece, um afago, um abraço, o ônibus já vai passar, os rostos franzinos remelentos leva na mente os problemas de sobreviver limpado do chão o lixo de um mundo nobre que não lhe cabe ,esse mundo lhe é estranho . O que dizer ? As palavras não lhe vem ,o que fazer? Um breve asceno meio estranho , finge desprezo mas é angustia que lhe arrebata, em deixar suas crianças praticamente abandonadas , mas é por uma causa maior o aluguel ,o gás e o mercado,mas nesse mundo violento de tantas oportunidades nefastas , que do caminho do bem afasta meninos e meninas abandonados pela própria sorte nas mãos dos espertos que usam os meninos como avião para o tráfico , seduz as meninas e as embuxam após prostituí-las , iludidas com uma carícia disfarçada de carinho .
-Hó ! meu Deus protege minhas crianças da própria sorte da desesperança , as guarda até eu voltar , pois a noite mesmo superando o cansaço o meu afogo em pratos cheios se mostra na alegria da barrigas estufadas , de sonhos na madrugada de mais um prato cheio para amanhã.
As horas seguem lentas e cansativas o relógio não corre nem gira, segue fracionando por secular exploração .
O suor da testa escorrendo e o relógio com seus nefastos ponteiros lambendo a vida que se vai dia a pós dia .
A noite vai chegando é hora de ir embora , voltar para as caras que deixei , o que fizeram o dia inteiro , o que aprenderem a que perigos correram , é melhor nem saber pois o medo que se percam nesta vida de caminhos estranho eu mesma os esfolo sem dó. O meu braço tem de ser mais forte que as vantagem falsas que o mundo possa lhes mostrar,nem pensar nem pensar !

Mal a entrada da viela de sua escadaria avista vê movimentação , tem visinhos tem gente estranha em seu mocambo .
-Terá Deus se distraído , e por um segundo deixado os meus filhos de olhar , e uma desgraça se abatido ?
Apressa o passo para o infortúnio que virá, espera com o coração apertado a notícia que sabe que a cada passo vai ouvir ,mas espera firme ,mente pra si ,que seja outra coisa , não desgraça , que seja festa e não lágrima , que agora vai ter que encarar.
Na entrada da porta , vê o povo que junto chega falando e sem claramente entender , bebe aos largos goles a água açucarada que alguém lhe empurra nas maõs, o que ocorrera não sabia , o que é que toda gente dizia ?
Um burburio que fica mais e mais distante , só ouve o taber acelerado de seu coração. As mãos no rosto encobrem as temporas , olha seu barraco aos quatro cantos com olhos ligeiros ao contar os pálidos rostos dos pobres pequenos pobres que agora estão ainda mais pobres pela perda de um dos irmãos .





Cirilo cap 1

CAPÍTULO- 1 - Primeiras Histórias

Assombrado pelo passado, como um fantasma sobre as águas paradas apedrejada por gotículas de chuva ao crepúsculo, crepúsculo da sorte, crepúsculo da vida, semi morte.
Penso na vida, na minha e de meus pares.
Tantas desilusões...Toda uma vida para ser vivida, para que correr ?
Se não há como chegar a nenhum lugar.
As decisões tomadas, o lado da bifurcação escolhida ao longo da vida, tantas posições só um lugar a chegar .-Uma longa e pausada respiração abdominal
-Ou quebro a alma ? Ou perco a vida ?
Vida que não tem opções. Se não dá para passar pela porta pulo o telhado !
Se não dá para ser convidado me convido!
Se não dá para herdar , arrecado!
Se não dá para ser alguém... serei aquele que temem ,serei o “nada” que pela força do medo torna-se .
Pois é na noite que os domino e ao seu poderio diurno revolto–me e digo NÃO !
Pago um preço... Mas de todo jeito já pago, desde a triste hora da concepção, pagar mais um, ou outro não importa, minha dívida não é só minha é a tantos que mendigam as sobras das prosperidade das elites minoritárias da nação .
Há o tempo de plantar e semear,só que minhas sementes são estéreis ,eu não vou esperar germinar a podre semente, o agora é para ser vivido ,um tipo de vida sem apelações ,vivida!
Vida aventura marginal .
Um grupo de amigos bem entrosados , fazer parte da turma é vital , não ficar feito otário marcando passo , seguir meu curso com os meus na aventura da vida .E se não tenho chances neste mundo formal?
Forjo os meus próprios caminhos . Nossas roupas mais que vestem nos mascara ,intimida pela jeito de fingir ser ,passa a marca do poder que não temos, mostra o homem audaz no menino abandonado pela sociedade que pelas ruas perambula de mãos entre abertas clamando compaixão que encena-se pieguisse e materializa-se em... Nãos !!!!.
Fome, a fome abissal de inúmeras gerações que como eu e ele ,não vive sobrevive .Ser, sem rumo seguindo os caminhos fechados , pulam o muro e seguem as vielas das favelas tatuado com as marcas da cobra e do dragão como códigos universais de força da antropofagia figurativa, na auto mutilação.
Na ponta dos dedos , os restos de tinta das fachadas ,das mansões, que levam apulso a minha marca.Marca ilegível,como a existência, incompreensível. Marcas minha, marcas nossas, de toda uma nova geração que sem palavras rabiscam o ódio, a desilusão.Hoje temem-nos? Medo que sempre senti nas noites escuras crivadas de balas ,gritos abafados , abandono e mais solidão.
Quando mais significa ser menos ,enquanto menos detém mais e mais . E ainda rebelam-se protestam contra a violência , que não podem mostrar-se como são em seu direito natural brutalizados de ostentar seu capital , seu tênis de marca , seu relógio legal , assombrados pelo medo de perder seus tesouros capitais, enquanto por toda a minha não existência sonhei com um pedaço de pão , um prato de arroz com feijão , em ter sonhos ...e só obtive ...Nãos!!!!!!!!!!!
Os medos de seguir quando parei , parei de acreditar no futuro , parei de acreditar ser possível ter sonhos ser alguém além do meu destino mas com a idade o tempo venceu , vi que a vida nada mais é que um livro já escrito , escrito pelo demônio de muitas faces no livro sagrado de Deus.
Não estou me lamentando, é que às vezes fico pensando como pode um infeliz como eu , ser igual a qualquer um outro ser, ter direitos ter deveres , ter pátria , ter desejos , sonhos , e pô-los em pratica ? Lutar e ser possível vê , seu sonho desejo se fazer concretizado,sem com isso dá polícia pra todos os lados correr ou com o nome no necrotério amanhecer? Em?
Vê seus filhos seu netos brotar na terra com viço com força ,ter alma ser livre da dor da solidão do destino de não ser nada na vida , de seguir pelo leito o curso das águas feito bicho qualquer sem alma , só viver pra comer e não morrer.
Ao longe escuto o vento rangendo nas folhas , feito fantasmas dos que roubados da vida se foram ,sem saber pra que vieram para esse rio de águas sujas das vidas de pobreza , da miséria do abismo existencial.Seguem o barco lamentam-se também não sou só eu sem sentido no curso seguindo rumo ao fim da vida, como seguem milhares assombrando os que pensam que são por que tem.
Serei eu coisa ruim baixa estirpe por nada ter ? Fora a vida que Deus deu? Serei eu a lama podre do Capibaribe que alimenta a mim e a tantos como eu ?
Que seguem a vida sem viver, seguem seu curso não sendo , pela ausência do cobre que a tantos atormenta que se fecha em grades em meio as máscaras que ostentam, enquanto das palafitas contemplo as estrelas , todas elas eu mesmo as batizei a cada uma dei um nome de um menino que a fome levou com nomes bonitos num papel branquinho tão limpinho na derradeira hora de seu ser , quem nunca foi é alguém na morte .
Jesto estúpido e ninguém vê?
Se calam em sua mudez histórica de conveniências. É número ,é pesquisa , dos doutores de mão limpas sem calos , é estatísticas que sua labuta , escreve com ponta fina em folhas de papel lisinha sem mácula,sem culpa, sobre o lodo , a suja existência dos que nunca nada foram e nunca poderia ser .
Já dei de cabeça no mundo abandonei a escola ,a família e a vida , já neguei a tudo , já lutei ao lado das bestas feras ,que matam que roubam , estupram , se drogam ,como quem faz uma oração implorando a Deus misericórdia por esta vida sem razão !
-”Me tirem deste mundo aliviem minha dor tenham pena por favor desse covarde sem alma que divide sua dor espalhando lágrimas como se fosse possível ouvir seu silencioso clamor . “
Já fui a igreja rezar , fiz despachos nas esquinas , os pastores abençoar minha triste sina ,já vi deuses brancos abastados , que humilham só com o azul olhar . Já vi vidros de carros prontamente fechados,basta eu chegar , já vi vigia de loja expulsar mortos-vivos andarilhos que vão a nenhum lugar.
Já vi cartaz estrangeiro vendendo corpos desnudos no maresia do calçadão , quer crianças, meninos meninas sem comiseração.
Já vi pedreiro respirar folhas secas , sem casa pra construir , sem pá sem chão .Já vi vendedor de pedra protegido pela milícia do Estado , fardado de coturno de arma na mão defendendo por fora uns cobres da vergonha da nação? Já vi a cobiça , desenfreada dos que sabem com certeza dos louros de uma sociedade de leis amplas e frágeis que se dobram ao peso do tinir das moedas ao chão em detrimento dos miseráveis trabalhadores explorados que não amealham , assalariados ,verdadeiras assombrações para a sociedade braços fortes e baratos , mas que enfeiem os cartões postais .Afaste-os ,expulse-os mas ao norte , uma hora quem sabem se afogam no mar. Quantos sois , já rasgaram o manto azul , quantas luas já repartiram suas faces na escuridão , quantos de nós já não se lamentaram prostrados na inércia da solidão? Com tanta gente no mundo, com tanta estrela no céu com tanto “pulítico merdel”pra que ela só lembre-se de eu? Dos meus ... Eu que quis ser feliz na vida ter estudo ser doutor curar feridas quando menino , nem direito o meu nome aprendi , risco em rabisco oscilantes na tremura da vergonha do estante dos outros olhando meu escrever, só escrevi na vida direito as dores as mágoas meus infortúnios ,quando rompe um estampido fortuito quebrando o silêncio da minha inexpressiva existência solitária , ai alguns me vêem , me enxergam em números , até me acunham de nomes que nem imaginei , com termos que intimidam e valorizam-me agora sou alguém , mas nunca serei igual a vocês .
Sonhando que um dia a dor cerce, o medo adestre a solidão , desista e , vá buscar outro para aperrear , em meio a tanta gente ,como pode a malvada solidão insistir com um ser só? Solidão de existência , solidão de pão,solidão de miséria ,somada multiplicam-se solidões , aglomeram-se multidões de solitários...
De que adianta querer tentar ser , se meu destino é não existir?Não é vida nem existência e persistência de não ser. É a história de gerações de miseráveis explorados ,perpetuamente sem conceber seus destinos nas mãos de Deus entregues , crêem pobres desvalidos , não sabem que foram traídos pelo podre poder dos corrompidos, venderam a alma , assassinaram a ética em nome da estética do poder.
Eu sou o velho abandonado , de pensão minguado que na fila do posto médico amanhece implorando em suas preces uma consulta para descobrir o que já sabia antes mesmo da peregrina busca que sem remédios ia permanecer, pelo parto dolorido fórceps arrancado do seguro útero e no mundo a violentar o menino ,a menina no mundoeita mundo, mundo de fome geração apos gerações... É parido mais um de nome desses cabra do estrangeiro como quem implore um novo destino na miséria de suas vidas brasileiras nordeste de infelicidades na secura das possibilidades de tantos que seguirão , seus caminhos sem escolas ou quando as tem , que não educam , de salas que mais parecem prisões ... Já prevendo seu destino sombrio ...adestrando seus corações !
Seja velho , novo , menino ,homem, mulher ,seja POBRE ! É essa sua marca de predestinação, numa escala que não sobe só desce nas classes pior que castas são marcas na cara , na pele nos cabelos nos poucos dentes amarelados , no jeito brutalizado , do não se dar , só ser roubado do não caminhar se arrastar, do não ser por nunca ter .De não entender ,e crer... ainda acretitam ,promessas preces ...No homem me Deus!
È desse eu que vive e viverá em muitos ”Eu’s” , de vários seres coisificados em muitas vidas feito reencarnação , nas dores de muitos corpos , nas almas de muitos rostos das clamores de muitos desgostos do abandono , de não ter a quem clamar ,de nem mesmo ter o direto de amarguradamente xingar , pois Deus lhe deu esse destino , é a Deus não posso por a culpa pois blasfemaria e logo viria a punição e de destino triste e miserável teria ainda mais flagelação.
Essa é a cara de tantos que chamam de povo , que enchem planilhas de relatórios ,diagnósticos , teses e dissertações, mas enquanto acomodados e calmos aceitam seus destinos como gado seguem seus curso ao abatedouro do neoliberalismo pós-moderno do capital agregado, do social capitalizado , da mais valia do produto e desvalorização do ser.
-A lágrima rola no rosto seco pelo sol,em silêncio .Silêncio gritado de dores.

O menino levanta o olhar que em silêncio arregala franze a tês aproma-se entre os arbustos na beira do cais , ouvindo o discurso inflamado de um bêbado louco drogado ?
Prostrado entre os galhos secos curtindo a lombra , alucinógena , a euforia demente deprimida êxtase, que vomitava palavras numa verborragia melancólica .
-Quem está ai?
-Não sou ninguém?-Responde o menino assustado , em sua aventura furtiva.
- Todos somos niguéns , crendo sermos alguém ai mesmo é que não somos...com os lábios e olhos entreabertos de lágrimas e baba espumantes.O bêbado ajeita-se em sua lômbra para ver seua platéia inusitada.
-Menino de onde vens? Ou melhor para onde achas que vais?
-Eu? Eu! Fugi de casa, murceguie uns ônibus e finalmente me perdi, comi o que me deram , bebi das torneiras das calçadas , corri livre e me diverti.Precisa mais hoje fui feliz!
-Livre? Enganas-se podre menino quando pensas em fugaz liberdade, liberdade é uma quimera...
-Livre sim –retruca embravecido o menino.- Não agüentava mais minha casa , as cobranças as tarefas e afazeres ,o abandono as surras , a pobreza, se é pra não ter nada pelo menos a ninguém devo submeter , agora sou livre ando para onde quero faço o que quero , ninguém manda em mim....! Fecha a cara em birra infantil se achando o tal.
- A mão que te batia ,ara a que te queria bem, te fazia sofrer achando que te ajudavas a se tornar homem decente ; a mão que te bate de agora em diante te violenta e te corrompe ,teu julgamento é fraco é pueril, dolente criança que julgas ser livre num mundo dominado de ideologias e valores , de regras e castas invisíveis e intransponíveis. A filosofia , a psicanálise as teorias, mas,mas entretanto ,não é tanto ! Tá me entendendo?O inlógico da logica é que haja sem haver um despertar para si mesmo , pois tudo comfabula para que não pense e lemos , vemos TV, rádio internet, moda literatura ,música,diverssaõ molda-nos nos faz pensar padrão.É! Há!!!! a consciência dói , ser consciente rasga a alma embrutece , é melhor ser ingênuo crer na utopia e dela viver , vem cá menino deixa eu te mostrar meu ...-enfia seus grossos dedos de unhas negras no cós da calça como se em um fálico gesto apresentasse a vida ao menino.
-Tá doido cara eu não quero vê nada teu . Vou dá no pé antes que tua lombra passe.
-Um longo caminho deves percorrer menino ! Não para forra nem para longe e sim para dentro de si mesmo , é se perder que nos encontramos , menino , vem cá , veja meu livro -o estranho homem puxa de dentro das calças sujas e rasgadas um caderno amassado e sujo acenando para o menino que corre sem lhe dá atenção.
Desiste do menino que já não podia alcançar com os olhos embaçados e turvos recoloca o caderno entre as calças e diz :
-Vai menino vai ...Você é uma personalidade! Volta-se para o canto e prostra-se inerte fetal ,deita e contempla o calidoscópio alucinógeno que experiência dentro da retina.
O menino corre sem destinopelo cais de ruas históricas ,vê o sol ,a aurora ,e lê centenas e placas e propagandas , monumentos e praças ,ruas ruelas e becos, sebos e miquitorios a céu aberto , a fedentina dourada de urina e fatos de peixe .
Ao longe vê redes de pescadores distendidas como cortinas em árvores em palmas orando ao céu pelo peixe,quando encontra uns barcos de pescadores próximos a ponte , o cansaço e a sede lhe domina é melhor deitar um pouco para descansar e ali parecia um lugar seguro, não havia ninguém por perto ,só aquelas grandes redes ,barcos e remos ;tudo lá como esculturas, monumentos reais em homenagem do povo que SUB-vive .